domingo, 9 de janeiro de 2011

Em 2014 e sempre...


 
O QUE
O que dissolver a goma dos sentimentos,
O que uivar mais forte que a voz do usurpador,
O que arrancar da mão do verdugo a corrente,
O que tiver parte com a arribação,
O que for contentamento descontente, frêmito de tigre, cheiro de vitória-régia,
O que aniquilar o cinismo do “agora você pode” “agora eu deixo”,
O que dizimar o pouco caso com a idade da vendedora de amendoim,
O que ruir o concreto dos guardiões do status quo,
O que chegar com prodígios de nascentes,
O que não seja jardim de madeira,
O que fizer vacilar as verdades eleitas,
O que for silvo de anunciação,
O que fizer o coração espigar,
O que seja repartição de mel e de fermento,,
O que for mão de oleiro em vaso de barro,
O que for novidade de pântano,
O que for aragem de livramento,
O que for verdade de colibri,
O que for caminho pro pão e pra poesia,
Isso, Maria Júlia, vou cantar.
                                                         Antônio Odair Santos